05 agosto 2020

Fair play fairy tale



A alquimia do mercado
Transforma necessidade
Em merdacoria
Vende o que for preciso
Diz o que você precisa
Con-
sumimos
Antes éramos entes
agora somos patentes
Cicadas ou ants?
Fair play é fairy tale
O dedo da mão invisível
Atochado no teu tu
Quer um verso merdacoria
A paz não é um bom negócio
Tempo livre é o mesmo que ócio
Os relógios-algemas no controle
"Criamos um mundo virtual
pra você poder ser você
do jeito que a gente quiser"
Consuma consuma
consuma
suma

15 maio 2020

Porque não devemos deixar os nomes mudarem impunemente

código genético x código de barras
Há quem troque o übermensch
Pelo super mercado

código genético x código de barras
mundo líquido, almas plásticas
amores descartáveis

a ganância segue matando
a vida, desvalorizada, em liquidação.
código genético x código de barras

É natural que tenhamos dúvidas:
código genético ou de barras?
Relevância: zero.

A maldade segue intocada
... reinventada.
Não é preciso um gene egoísta

Apenas é preciso hipocrisia
Para chamar de invisível
A mão manchada de sangue.


02 abril 2020

Mariposas no escuro

Os pequenos momentos
cheios de grandiloquência
não pedem prisão na tua fôrma, poeta

quem tem olhos n'alma
quer qual lunetas
quer qual microscópios
sabe o quão volúvel
é a eternidade
e quão teimosa
a vaidade da aretê

Arte pra quem te quero
Frescobol, soma zero
Antipropaganda
Um sepukku parindo um rei

Como dar luz a novos deuses?
Inventar cores?

Mariposas no escuro
Ronins
Beija-flores

Os poetas inventam suas dores.


15 fevereiro 2020

Capitalistas têm fé

O capitalismo tem capitalistas.
Como toda religião, precisa de fé.
E, como grande parte das religiões,
prega conhecer a essência humana.

A última pesquisa de opinião do século XXI
disse que era má.
(E, nisso, concordaram vítimas e algozes)

Os sacerdotes desta religião
o vêem na origem do homem
predestinado desde a Savana
a envenenar a água dos rios
Por amor ao ouro e não-vida.

Felicidade no egoísmo?
Não me parece conselho
De quem tenha sido feliz.
Mas quem quer ter tudo,
Não é mesmo?

Os capitalistas têm diferentes religiões.
E todas crêem que seu capitalismo é melhor.
(Foi mais fácil chegar num consenso sobre Deus.
Mantiveram apenas uma estratégia de branding)

Como religião ligada a aspectos básicos
da alegada natureza humana
O capitalismo crê no Invisível
E exige sacrifício humano

(Algumas vertentes pregam
Como nas religiões
O auto sacrifício)

Os capitalistas vivem a dizer:
"Acreditamos no capitalismo"
Enquanto sabotam o progresso
fazendo rebranding da escravidão
e uma reestruturação do fascismo

Dirão os capitalistas:
"Não é culpa do capitalismo.
É culpa dos maus."
Como em qualquer religião.


11 outubro 2019

...

Procurava narrativas irreconciliáveis
Antípodas utópicos
Charadas Dadaístas

Procurava paradoxos
Paralelos anacrônicos
Semiótica no desejo

Procurava o anti-signo
O Anti-Édipo na antimatéria
A Partícula dos Ateus

Procurava platitudes meméticas
Sínteses sem margens
Faixas de Moebius em garrafas de uísque

Procurava entreter a mente
Tretar com o entretenimento
Professar heresias abraçado a dogmas

Procurava ser digno
Procurava nota e pena
Procurava mal entendidos

10 outubro 2019

Coach cockroach

Coach cockroach
Não pode ser barato
"Case" de sucesso?
Não case com essa idéia
de escravo motivado

Home delivery by youtube
A classe mérdia
Continua no fundo da classe
consumindo jabás da mírdia esgoto

Self service de sonhos
Wishful positive thinking
Plus Ultra Auri sacra fames
O algo(sem)ritmo enlouquece
"O que você está pensando?"

Sempre aparece alguém pra passar pano
Ninguém pra segurar o piano
Mas a música não pode parar

Sei que pode mais o ser humano
do que tramam boçais no altiplano
sob bênçãos de fascistas e generais


01 setembro 2019

Da Glória

A glória é efêmera
feromônio
ferimento
fera
a palavra
se conecta
ao instante
e
instantaneamente
é a glória
o efêmero
feromônio
fermento
poesia
pão



19 julho 2019

Sarau do Escritório

O zine substrato encontra a rua
Algumas palavras nuas beijam o vento
Versos querem foder gostoso com a mente
A lua chama os loucos da cidade
É Lapa, Lapa, Rio de Janeiro 
Na esquina que também é praça
Novos santos, catecismos e orações
Profanam a noite, afanam atenções
Destilam canções no Bar da Cachaça 
Missão utópica numa missa urbana
Colocar as idéias na topia dos encontros
Burilar frases na tupia da gramática
Ressuscitar verbetes, renomear as cores 
Aparar arestas, desvendar florestas
Dar a poesia a melhor das festas 

Eu, em voz e verso, me expresso
Café, trem, velocidade, poesia, excesso,

Acendo
E ascendo
excelso


15 julho 2019

Feijão ou elogio a dinâmica da fome





- De repente você poderia mudar alguma coisa na sua estratégia... sei lá...

- Estratégia?!

- Pra ficar popular...

- Mas eu escrevo poesia...

- Então...

- No que você pensa exatamente quando acha que um poeta é popular?

- Ah! Sei lá! Famoso, cara! Que nem o Pedro Bial!

- Não tenho essa competência não, meu amigo.

- É que tu é metido demais pra isso, né?

- Eu queria ser popular como o feijão, rapá!

- Feijão? 'Tá maluco?

- Como se oferecessem um poema meu pra alguém que nunca leu um poema e ele se tornasse parte da dieta. Um poema com a dinâmica da fome.

- Quem está de bucho cheio só quer saber de sobremesa.

- Nã... esse tipo de texto me dá indigestão.

09 julho 2019

Minotauro



I

Alguns aceitam seus próprios limites
Outros se limitam 
a ser propriedade


II

Tomar posse de si
estabelecer o convívio
ampliar o contato
intuindo a melhor trilha
na selva de pedra
sem sentimentos

Tomar posse de si
é fincar bandeiras
no concreto

III

Homens-muros formam o labirinto
Onde o minotauro nos caça.
A literatura, fio de Ariadne,
daria retorno à entrada.
O pelotão, porém, bateu em retirada
Não se mata um minotauro com poemas.

Fair play fairy tale

A alquimia do mercado Transforma necessidade Em merdacoria Vende o que for preciso Diz o que você precisa Con- ...