12 Julho 2009
Malvados Kick Asses
14 Junho 2009
Tirésias

Moral: Pelas loucuras que já vi muitas fazerem por tão pouco, Tirésias tem toda razão.
Millör Fernandes
01 Junho 2009
Inocentes blasfêmias - Parte I
E o bom carpinteiro José chega a casa de seu amigo Jacó para contar-lhe cheio de alegria sobre o futuro casamento que arranjara para si.
Marcadores: Aventuras em prosa, fábulas de pakkatto
03 Maio 2009
Pérolas dos Porcos
A gripe dos porcos e a mentira dos homens
Por Mauro Santayana
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país, nem às suas leis - somente às leis do país de origem.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco..
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
Data: 01/05/09 06:10
P.S.: Valeu pelo e-mail Laurent
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30 Abril 2009
Malvados Rolls
24 Abril 2009
Fale com o Homem

A Invocação
- Claro que vai dar certo, seu covarde.
- Mas... eu sei lá... parece meio patético esse negócio de invocação. A sala 'tá uma bagunça e o cheiro do chá...(sniff!)...(bleerrg!)
- ...(!!!)
- Porra! eu nunca vi nada assim em qualquer filme, livro, monografia Rosacruz ou programa do Discovery Channel. Nem em roteiro de animê uma invocação poderia ser tão estranha quanto esta.
- Mas você ouviu o que o mestre disse. Entramos no site do "cara" e agora devemos esperar suas instruções finais. Para isso, devemos primeiramente deixar nossos corpos aptos a receber "o conhecimento da verdade".
- (...?)Você deve estar chapado e eu acompanhando essa sua doidera. Estamos há dois dias aqui dentro desse apartamento seguindo a resposta de um e-mail...
Em uníssono:
- ... enviado por Mephystopheles@danacaoeterna.com.
Risadas.
- Eu tenho que admitir que o cara mandou bem na resposta.
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10 Abril 2009
Addendum
Ao contrário do primeiro, este é ativista e propositivo.
Julguem por si mesmos
Marcadores: O deleite dos descontentes
09 Abril 2009
Zeitgeist
Para os que não viram ainda e para alegrar aos que já o viram.
Há tempos escrevi uma resenha num site sobre o filme:
It is quite easy to think that our society lives in a world where the information is free.What most of people don't realize is the fact that you have to make the right questions BEFORE getting the answers. So, the information is not that free as we wanted it to be. Only an inquiring mind (with skeptical proficiency, I'd say) will be able to obtain a larger view of the main picture.Zeitgeist is, as a documentary, something that approaches to Michael Moore's style: Conspiracy I saw and you were not able to say so until I told you what really goes on.And it was sucessful in its purpose because it shows us that we don't have the information to refute what they say. And what they say? They say we are stupid and ruled by few. Why? Because we don't have information. They say war serves to secret societies formed by nazi-bankers that imploded the World Trade Center and killed JFK.And I say : why not? It fits. It works. I buy it.But what will I do with this information? Did I asked for it? Will it make me happier, more productive, healthier? I will run for president and change the world's black fate, shall I?This kind of formula with no propositive idea is not new. We saw the Protocols of Zion used that way.And the truth is only one at all:The only problem is that people just don't care...And it is quite clear to everyone of us around the Globe.Americans don't even vote anymore.With a good argument you can prove whatever you want. Especially when you are the only one who talks. The order, the system, whatever, is an ideology more powerful and subtle than a master plan of evil masons. Wake up you all and make the questions by yourselves. The point is clear, "who controls the past now controls the future, who controls the present now controls the past."The truth is outside ... ... of the television, the newspapers and even the internet.
Marcadores: O deleite dos descontentes
22 Fevereiro 2009
Malvados Rocks
30 Novembro 2008
The Dears
Você vai lembrar de todas as influências indies. Eles assumem esse título e por mim tudo bem. O curioso é me esforçar para lembrar de alguma banda que tenha soado parecido e não lembrar de ninguém. Talvez porque eles sejam originais mesmo ou meu cérebro se recusa a só lembrar do Joy Division quando os ouço. Joy Division é viagem de minha cabeça.
Sinceramente, eu não estou afim de discorrer muito sobre o que vcs poderão conferir por si.
Eis a minha favorita, Money Babies, do último álbum Missiles.
Our money is elastic. Our money is elastic. Gotta get milk for the baby and our money is elastic. Decapitative laughter is keeping us alive. Cavalcades of losers, losing their minds. Hoping for disaster. Settin' off alarms. Amid all of the deranged. Amid all the charmed. Do you remember that time when we thought we were gonna die? Well, baby nothing much has changed. And yet they haven't been the same since at all. Our money is elastic. Our money is elastic. Gotta get milk for the baby. Gotta get milk for the baby.
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10 Novembro 2008
Quando decretares a derrota
Quando tiveres que vender tua alma para almoçares
Quando desistires do que é o teu direito
A injustiça confundir-se-á com o egocentrismo
Invejarás as pessoas de coragem por seus valores
Teus olhos baixos perderão a oportunidade
de mandar a merda
os filhos da puta
que já se venderam
Quando enfim decretares a derrota
em outro merda
transformado estarás
Marcadores: poemas
15 Outubro 2008
Uma história do Diabo 2

Os portões do Elíseo ainda eram exatamente como Estrela da Manhã se lembrava. Fulgurantes e majestosos, em toda sua glória. Yeshua HaMashiach veio recebê-los:
- Não se preocupe. Eles não vão me incomodar.
08 Outubro 2008
Uma história do Diabo
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Um conto da Guerra Infernal por Raul Kuk
SANTOS NO INFERNO
Seis meses atrás...
O tempo continuava sua marcha, inexorável, rumo ao fim. Os sinais eram claros. Nada de rios de negros, bolas de fogo ou chuvas de sangue. Era tarde demais para essas alegorias bizarras do juízo final. Lúcifer sabia muito bem o que estava porvir.
Havia um jogo em andamento, desde o princípio dos tempos. Uma batalha entre o bem e o mal, sombras e luz, paixão e virtude. Agora, finalmente essa batalha faria vítimas.
Ele sabia a contagem de corpos.
A garçonete se aproximou de Estrela da Manhã, trazendo a conta:
- São três dólares e cinqüenta centavos, senhor.
- Aqui está. Me diga, o padre Carey ainda mora aqui?
- Desculpe... Padre Carey?
- Sim, ele se afastou da ordem em 84.
- Você deve estar falando do velho Carey, só pode. Não sabia que ele tinha sido padre. Ele mora num quarto alugado, nos fundos da casa dos Weston. O senhor é parente dele?
- Não. Meus parentes estão condenados à morte pela espada.
Estrela da Manhã saiu, deixando uma atônita garçonete com vontade de ir rezar no banheiro.
A casa dos Weston era um velho casarão, daqueles que você só encontra no Louisiana. Mas alli era Detroit. Olhar para o casarão era como ter um dèja-vu. O anjo caído aproximou-se do portão e, não vendo ninguém, entrou. Um rapaz veio a seu encontro, interpelando-o:
- Peraí, amigo! Aonde pensa que vai?
- Eu vou falar com o padre Carey, me dê licença.
- Licença o caralho! Não pense que pode ir entrando assim na casa dos outros, não! Por que você não se anunciou? Não viu a campainha?
- Meu jovem, de onde eu venho, não preciso anunciar minha chegada pois ela é precedida de choro e ranger de dentes. Saia do meu caminho, sim?
- DEIXE-O! – gritou o velho padre Carey de uma janela na edícula dos fundos. – Ele é um... velho amigo, Chris. Deixe-o entrar!
Lúcifer passa pelo dono do casarão sem esboçar nenhuma expressão de vitória. Mas, assim que sua sombra toca o ombro do jovem, ele sente um profundo mal-estar, uma saudade das coisas que tem e medo de jamais vê-las novamente. Ele entrou em casa apressado, abraçou um velho baú com recordações da esposa que viajava e chorou copiosamente, implorando aos céus para que ela chegasse bem em casa.
Estrela da Manhã entrou na edícula, onde o padre Carey o esperava:
- Como vai, Satã? Sente-se aqui, sim?
- Não me chame assim, padre. Esse nome supersticioso me dá náuseas.
- E não me chame de padre. Eu não sou mais padre, você sabe disso.
- Sim, mas não entendi o por quê. Saudável, lúcido...
- Que pergunta idiota! Passei a vida toda pregando para que as pessoas se afastassem do caminho do mal, até que conheci o mal e nos tornamos amigos!
- Isso devia ser motivo suficiente para que o senhor continuasse pregando.
- Contra o quê? Eu vi o mal. Vi violência nas ruas e no coração das pessoas, vi sangue inocente sendo derramado, ouvi confissões de velhas senhoras e homens de reputação que fariam até você corar. Eu vi o mal, reconheço o mal e sei que você não é a essência do mal. Então, contra o que eu vou pregar?
- Por que você se pergunta “contra o que pregar” ao invés de se perguntar “a favor do que pregar”? Você não deveria valorizar a fé e a redenção ao invés do medo?
- Está vendo? Esse é o maior mal que você pode fazer. Questionar. Foi por isso que você foi expulso do Paraíso num primeiro momento, Satã. Você me mostrou um Deus incapaz de perdoar um filho que errou, um pai que pune seu primogênito com a danação eterna. Não é esse o Deus em que eu acreditava. O Deus em que eu acreditava teria perdoado você ao ver seu arrependimento. Teria acolhido você de volta, apesar de sua arrogância e prepotência.
- É estranho alguém que entenda isso com tanta clareza...
- Minha alma é sua, Satã?
- Nah! O que eu faria com ela? Estou cheio desse jogo.
- E o que você quer, afinal?
- Quero meu emprego de volta.
O padre se calou. Como dizer ao diabo que isso era impossível, se ele mesmo já havia desistido da redenção?
- Não é por redenção, padre. – disse Estrela da Manhã, como se pudesse ler os pensamentos do padre. – É por direito. Ao longo de eras, eu O tenho visto tomar suas decisões e armar seus jogos, sem sequer me levar em consideração. Eu fui banido, em todos os sentidos. Minha ausência não é sentida, assim como minha presença é desconsiderada. É tudo um grande erro, ele não devia ter feito isso, não devia! O preço a ser pago por uma pergunta, uma simples e maldita pergunta, foi uma eternidade de rejeição! Eu estou farto desse jogo!
- Satã – interrompeu o padre Carey – Qual foi a pergunta?
Estrela da Manhã hesitou em responder. Jamais havia contado a alguém o que tinha dito ao Criador que causara sua expulsão do Paraíso. A idéia de que almas mortais tivessem acesso a esse conhecimento poderia arriscar toda a delicada ordem celestial. Mas... Pensando bem... O fim estava próximo, mesmo...
- Eu perguntei se as regras de conduta moral criadas para os homens mortais valiam para ele.
- E?
- E só. Ele me expulsou do Elíseo, para “provar que as regras eram dele”.
- A que você se referia quando mencionou “regras de conduta moral”?
- Ele os ordenou que perdoassem. Ele jamais os perdoa. Vocês erram e são arremessados no inferno. Que pai enviaria o filho, quando esse cometesse um erro, a um quarto escuro, onde ele seria surrado todos os dias, até o fim dos tempos? Nenhum pai mortal, eu garanto. Mas Ele parece não se importar com o tempo.
- Satã, Ele ao menos respondeu sua pergunta?
- Não.
- E você jamais pensou sobre isso?
- Caminhar entre vocês, desprovido da minha condição, é resposta mais que suficiente.
- Você nos odeia tanto assim?
- Não, padre. Eu não odeio vocês. Eu não odeio ninguém, nem o Criador que me puniu, nem os meus irmãos que me abandonaram, nem Morpheus ou Constantine, que me desafiaram... Nem Mefisto ou Neron, com quem dividi meu feudo... O que fiz, não fiz por ódio ou ressentimento. Foi porque eu ainda tinha uma pergunta, uma única pergunta cuja resposta jamais me foi mostrada.
- E qual é?
- Como as coisas seriam se eu estivesse em minha antiga posição.
- Isso... Isso é terrível. E irônico. E engraçado. Um padre discutindo filosofia e teologia com o diabo... Chega a ser patético! Hahahaha! Do que estamos falando afinal? Eu deveria odiar você.
- Mas não pode.
- Eu posso. E odeio você, Satã, e tudo que você representa.
- Que grande mentira. Acorde, padre! Eu sou mais importante para você e para todos os outros fiéis do mundo, mais importante que o próprio Deus! Eu sou a razão de sua vocação, eu sou a força que o motivou, amedrontou e acolheu! Você me ama através do espelho, mas é incapaz de admitir!
- Essa é a teoria mais idiota que já ouvi...
- Acha mesmo, padre? Então, me responda... Quando você tinha dúvidas... Quando sua fé fraquejava... Qual era seu maior medo? O aprisionamento eterno em meu reino, o “lago de enxofre sulfuroso”, ou descobrir as respostas para as perguntas fundamentais que eu havia plantado? Como “qual a razão da fé”, “onde acabamos”, “o que motiva Deus”?
O padre se calou. Realmente, a única coisa mais assustadora que o próprio diabo eram suas perguntas. As respostas eram uma questão de fé, e a fé poderia nubla-las. Mas nada causava maior tormento do que ter perguntas que não deviam ser respondidas. Questionamentos que não podiam ser partilhados. Esse era o verdadeiro inferno.
A fé eternamente solitária e fadada a questões.
- Saia daqui, Satã. Me deixe em paz.
- Como quiser, padre.
Estrela da Manhã continuou vagando, solitário, até um parque no centro de Detroit. Não era muito arborizado, mas o lembrava de lugares que ele havia conhecido. Lugares que ele havia visto no princípio dos tempos, antes da humanidade.
Antes da questão.
Ele precisava de respostas.
A hora finalmente havia chegado.
- Rafael – disse Estrela da Manhã. – Rafael, eu preciso falar com você.
O ambiente foi tomado por um zumbido familiar. Naquele parque, ninguém seria capaz de ver a chegada de Rafael, um dos primeiros anjos, irmão de Lúcifer. A conversa que se seguiu foi nublada aos olhos humanos por um véu. Rafael apareceu em todo seu esplendor, mas abriu mão das honrarias, assumindo aparência de carne mortal. O véu se desfez. Dois homens conversavam em um banco do parque, apenas isso.
- Como vai, meu irmão?
- Nós precisamos conversar, Rafael.
- O que aconteceu?
- Você sabe. A hora chegou. Eu estou farto disto. Gabriel não vai me ouvir, Miguel não vai me ouvir. Minha única chance de impedir que o Elíseo caia dentro do Inferno é você.
- Meu irmão, os últimos acontecimentos...
- Os últimos acontecimentos significam que até mesmo os deuses podem morrer! Neron e Mefisto estão engalfinhados em uma guerra para mostrar quem pode mais, Hela, Loki e os asgardianos não vão ficar apenas olhando! Temos anjos e demônios e spawns se digladiando! Você sabe o que isso significa? Quanto tempo resta até que essa guerra chegue ao Elíseo e tenhamos que libertar o Santo? Se aquele desgraçado caminhar sobre a Terra novamente, nossa próxima conversa será diante do cano das armas dele. O que vai ser, Rafael? Que tal me ouvir?
E Rafael preferiu ouvir.
Rafael era o mais jovem dos Primordiais. Quando o mais velho, Lúcifer, se rebelou, Rafael foi o único a lhe dizer adeus. Os outros dois, Gabriel e Miguel, tiveram medo de que o Pai visse isso como uma afronta e não se despediram do irmão, nem dos outros caídos.
Mas Rafael era quase ingênuo em sua pureza.
Jamais entendeu porque o irmão estava sendo banido.
Jamais ouviu a história toda.
Até agora.
Lúcifer contou sua indignação com a maneira como as decisões eram tomadas. Contou sobre o dia em que decidiu perguntar ao Pai o que estava errado com o mundo. O que estava errado com Ele. E, à medida que a narrativa continuava, Rafael descobria que os outros Primordiais haviam dado as costas a Lúcifer, num momento em que o apoio da família era a única coisa que poderia salva-lo. Mas, mesmo depois de milênios, talvez não fosse tarde demais. Talvez se o Pai aceitasse ouvir um dos Primordiais em defesa de Estrela da Manhã, ele fosse aceito novamente no Elíseo. E pudesse deter a Guerra Infernal, antes que o Paraíso se tornasse apenas uma metáfora muito distante na mente da humanidade.
- Eu não posso. Nossos irmãos não nos deixarão entrar.
- Eu só vou conseguir com um salvo-conduto seu, Rafael. Não temos escolha.
- Mas e se...
- Você não teve medo antes, Rafael! Por que se esconder agora? Você não vai ser punido por me guiar ao Elíseo, já que muitos mortais caminham por lá, e até o Spawn!
- As circunstâncias diziam respeito ao julgamento de uma caçadora, não à uma audiência com o Pai!
- Sera que o Pai não ouve mais orações de seus filhos? É isso que você está me dizendo?
- Não deturpe minhas palavras, Estrela da Manhã!
- Não diga o que não sabe, Rafael. Apenas me leve até lá. As circunstâncias atuais dizem respeito ao fim de toda Criação. E eu posso deter o caos, mas preciso da autorização do Pai para erguer a mão contra os outros Caídos. Eu preciso voltar ao Elíseo.
Rafael analisou a situação. Guiar Estrela da Manhã ao Elíseo poderia significar uma punição ainda mais severa que a imposta a Lúcifer. Mas o que significaria a entrada de spawns, deuses e demônios no Elíseo? Um massacre? A libertação do Santo dos Assassinos? Quantos sobreviveriam a essa guerra, o que haveria para se comemorar após uma eventual vitória?
Haveria vitória?
Apenas se Lúcifer colocasse seu plano em prática: usar seu poder contra os cabeças dessa guerra, como Malebolgia. Mas precisava da autorização do Criador para punir quaisquer entidades, sob o risco de sofrer conseqüências desastrosas. Era necessário manter o equilíbrio.
- Está bem – disse Rafael. – Venha comigo. Vamos voltar para o Elíseo, Estrela da Manhã.
30 Abril 2008
A vida é para os vivos

A vida é para os fortes
A vida é para os tenazes
A vida é para os inconformados
A vida é para os de boa sorte
A vida é para os audazes
A vida é para os apaixonados
A vida é para os vivos
Para os que vivem a vida
Que deve ser vivida
A vida é para os que vivem
A morte?
A morte sim
A morte
É para todos
E se, às vezes, me acusam de andar em círculos...
Acho melhor andar em longos círculos e ver o mundo
Do que ficar parado no mesmo lugar esperando um milagre
A vida é para os vivos
Que vivem a vida que pode ser vivida
Sem dar a estúpida desculpa
"Eu vivo a vida que posso"
Bom dia Boa tarde Boa noite
Sede abençoados
Que saudades de você
Vamos fazer um churrasco
Parabéns
Eu te amo
são apenas palavras?
não te evocam lembranças ou desejos?
a vida é para os que vivem
assim como este poema
Não me importa se você não sabe o quão doce o vinho pode ser
Ou quão quente o aguardente deixa a alma
Se não sentiu o toque da mulher amada na noite mais fria
ou saudade do amigo que nunca estará lá
Frio fome saudade e riqueza não lhe tornarão melhor
Nem como ser humano ou como poeta
Haverá sempre alguém sob o céu azul
Arrotando experiência de olhos fechados
é preciso coração para estar simultaneamente
No espaço tempo dos fatos
Sendo sincero com sua alma
E se o acusam de estar perdendo tempo
Você deve estar perdendo tempo cercado de pessoas que te acusam de algo
Ou em frente ao espelho
Preocupado em honrar compromissos que fez a si próprio no passado
Desperte
Este poema é para vocês que estão vivos
Para que continuem vivos
E vivam
Marcadores: poemas
O som e o resto
Sinopse: Jahir é um baterista virtuoso que toca numa banda evangélica, um dia, depois de se indispor com o pastor da igreja onde costuma tocar, se vê na rua com seu instrumento e inicia assim uma jornada existencial rumo à sua música e ao seu espaço no mundo.
Direção: André Lavaquial
Co-Direção: Rodrigo Rueda
Roteiro: Aline Melo, Rita Toledo e André Lavaquial
Montagem: Juliana Cavalcanti
Direção de fotografia e câmera: André Lavaquial e Bruno Diel
Produção: Aline Melo, Rita Toledo e André Lavaquial
Assistência de produção: Helio Lambais
Som direto: Alan Caferro, Rafael da Costa, João Paulo Dias, Leonardo Villas-Boas
Atores: Jahir Soares, Leandro Zanardi, Rogério Bispo dos Santos, Solayne Lima, Marco Arruda, Henrique Silva Santos.
07 Abril 2008
A Carta "É Pilha" - Da série "Baralhinho do Momento" do site ANTIPROPAGANDA
Você chega da boate cansado. Cansado das luzes estroboscópicas, do som alto, das mulheres bonitas, dos vetos completos e das danças corretas. Nada o ajudou em nada e mais uma vez sozinho, às 4:15 da manhã você está.
Seus amigos seguem pra casa, você entra no seu prédio, cumprimenta a portaria, entra no elevador social, aperta o cinco, percebe que o elevador social está desligado, sai do elevador social, entra no elevador de serviço, aperta o 5 e sobe junto com o conjunto. Badúúúúúúúú....
O elevador chega e a cortina abre. Cansaço forte, sua cama vai ser demais. Solidão, pra quem conhece, tem suas vantagens.
Mas quando você sai no corredor e pisa no chão, você sente mais do que chão, você sente água. Olha pra baixo, pisa de novo, splat, splat, é água mesmo, maluco. Que porra é essa, você xinga em pensamento de dúvida e enquanto caminha pro seu apartamento, você percebe que a água o persegue. E ao dobrar a mini-esquina do corredor, realiza, na surpresa, que a água que desce, e desce forte é sua! Está saindo do seu apartamento!
É pilha!
Você já adrenaliza o corpo, busca a chave no frenesi, enquanto a água jorra gostoso por baixo da porta da cozinha da sua casa. Você abre a porta na loucura e a água acumulada lambe a sua canela esvaziando a cozinha. Parece que uma piscina Tone rasgou na tua frente. Mas não é isso e você sabe. Você não tem uma piscina Tone, a alegria da garotada. E a realidade do momento não é de alegria.
E há dois tipos de problema neste mundo, minha gente: o problema tipo meu, e o problema tipo seu. E esse problema é tipo seu!
E sendo seu, você vai seguindo o fluxo, como aquelas expedições do globo repórter, em busca da nascente do rio 503 bloco 2. Você vai pelo barulho, passa por você um saco de bisnaguinha seven boys e você realiza que a situação é dramática. Você alcança a área de serviço se agarrando nas coisas e encontra a nascente do rio.
E a nascente do rio é seu pai, de cuecas, bêbado, tentando com o dedo indicador conter, quase que moralmente, porque não está fazendo a mínima diferença, uma enxurrada de água violenta que brota da parede sem parar, no lugar que até agora pouco era o tanque de lavar roupa!
É pilha!
E, amigo, a água que brota da parede, brota num volume, numa potência, que faz a caixa d'água do prédio borbulhar que nem filtro de galão. Bablug, Bablug, Bablug!!!
É pilha! É, é sério.
Teu pai, de dentro do chafariz em que se transformou a sua área de serviço, te reconhece e dá a notícia que você já sabe.
- Filhinho... deu merda.
Porra, claro que deu merda!
- Filhinho... bota o dedo aqui que teu pai vai resolver. Segura aqui essa peteca.
Teu pai tira o dedo do buraco e sai um jato tão forte que teu pai patina surf e cuca o tanque. E cuca forte! Você ajuda, os dois caem, é água pra cacete, teu pai levanta, você afoga, teu pai cai, você levanta e vira briga de palhaço a área de serviço. Meia hora de bobeira, abrindo espaguetti e você e teu pai conseguem levantar juntos, ao mesmo tempo e teu pai sai saindo, meio patinando, meio se apoiando, meio não entendendo porra nenhuma do que está acontecendo.
Você volta pro buraco mete o dedo, tentando fazer o melhor, mas é impossivel. Água é água e a água escapa por tudo quanto é lado. E você que estava cansando, pensando só na sua cama, agora está de pé matando água nos peitos, revezando de dedo no buraco, arriscando a saúde no frio e vendo o tempo passar nos litros e litros de água que se perdem na loucura.
Depois de meia hora, com a pele enrrugada, o dedo indicador azul, o médio paralisado, a camisa transparente e o pulmão assoviando você se pergunta: porra, cadê papai?!
Na busca pela verdade, você abandona o posto, o jato engrossa, a caixa d'água babluga e você mete pela cozinha. É água. Você invade a sala, é água. Rompe pelo corredor, é água. Passa pelo banheiro, é sua mãe sentada não entendendo nada. Você passa pelo escritório, é água. E quando você abre a porta do quarto do seu pai, vem o choque, o verdadeiro choque térmico:
Teu pai está deitado na cama, de cuecas, todo encharcado, dormindo. Dormindo de roncar.
Um grito ecoa forte, muito forte pelo edifício Eugênio de Alencar:
É a carta É Pilha fazendo BLAU!!!!!!
As luzes dos apartamentos se acendem, pessoas aparecem nas janelas, teu pai levanta só a cabeça e no silêncio depois da corneta, todos ouvem juntos, intrigados, um som mais do que misterioso:
BABLUG!
Do genial site ANTIPROPAGANDA. O link 'tá ali do lado, ó!
Marcadores: Antipropaganda





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