Uma Noite na Taverna

13 junho 2004



INICIAÇÃO

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
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O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.

Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.

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A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
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Neófito, não há morte.

Fernando Pessoa

Aqueles que forem ao evento UMA NOITE NA TAVERNA verão uma versão musicada inédita deste poema.
Amanhã anuciarei o set das músicas.

P.S. >> Para saber mais sobre o Mutus Liber, forma pela qual os alquimistas expressaram seus conhecimentos através de imagens é só clicar na imagem abaixo.