Uma Noite na Taverna

05 abril 2005


O Espelho Mágico da Rainha Má


Era mais um daqueles dias em que o espelho lhe fazia a terrível pergunta. Podia olhar em volta, ligar a tevê ou sentar num divã, conversar com os poucos amigos e parentes chegados, de nada adiantaria. Preferia sinceramente escapar para o além do usual a flertar com o riso fácil da novidade pasteurizada de fácil acesso. Preferia sofrer vendo a mass media rebolativa a compactuar com o assassinato da verdadeira liberdade de expressão. Predicativos? Caçador, aventureiro, descobridor. Vaidade? Talvez. Medo de ser considerado medíocre? Certamente. E é aí, na certeza do medo recém encontrado, que a pergunta do espelho se fez mais presente. A questão deixou de ser se existe alguém e passou a ser quantos existem enfim.
Refugiando-se do lugar comum ele já não comungava das mesmas músicas que a maioria, dos mesmos filmes, seriados de tevê ou programas de rádio, dos mesmos sites, chats, dos mesmos clubes, botecos ou festas.
Estava só, a bem da verdade. Mas estava limpo.
Iria vencer mais aquele dia em frente ao espelho e sair a rua com a cara mal lavada.