Uma Noite na Taverna

21 agosto 2005

A atitude que não tomamos
A malícia que negamos
O pecado que não cometemos
As mentiras que contamos
São a lenha do fogo do inferno

O amigo que esquecemos
O dinheiro que não temos
A verdade que omitimos
Palavras duras que não dizemos
São a lenha do fogo do inferno

É lenha, lenha e mais lenha
As chamas crepitam sorrindo

O mal que não dividimos
A preguiça que sentimos
Projetos que não aprovamos
Caminhos que hoje seguimos
São lenha, lenha e mais lenha

As virtudes que cultivamos
O orgulho que não abolimos
As certezas que professamos
Os poemas que não escrevemos
As chamas crepitam sorrindo

Mais lenha ao fogo do inferno

Vamos dançar então um tango com o diabo
Sobre as cinzas de uma doce vida gauche
Pois a noite de sono
Com medo do inferno que pode ser a vida
Não perderemos

E não deitaremos atônitos sob os lençóis
Fingindo fé e adoecendo de esperança
Vamos jogar mais lenha na fogueira
E viver para eternizar o agora
Enaltecer a vida e não o fim

Pois ainda não é chegada a nossa hora