Ao pavão, meu agravo





Quando faço um poema
Eu me esvazio
No mesmo esquema
Em que a montanha chora um rio

Poeta pavão não. É sempre frio
Faz poemas só para mostrar a cauda
Enche de bobagem sua lauda
E se apresenta quase em tom de desafio

Vai pavão de verso vazio
Mostrar todo esse seu nada
Ao espelho e a mais ninguém

Poesia vem da montanha, madrugada
Vem de dentro, do povo, do além
Vem do mar, dos olhos, da estrada

E você, Pavão, não a tem

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