Uma Noite na Taverna

25 janeiro 2014

Sobre a fantasia




A fantasia joga seu véu por sobre a realidade.

Eis a razão de tanta dor e decepção:
Queres o objeto, a pessoa e a situação
Não por eles mesmos ou pelo gozo real da presença
Mas pela realização da fantasia de que és escravo.

A fantasia que o escraviza o torna tirano,
Desaprendes a amar a paisagem plural
A liberdade das almas e o acaso.

A tua fantasia é a ânsia desenfreada,
O desassossego que te adoece.
A úlcera no teu estômago o regorgito frequente
São o grito de teu corpo
Que quer o momento presente.

Sê feliz naturalmente.
A natureza das coisas, das pessoas e das situações
É convergir para onde elas são necessárias.

A falta de sintonia traz a dor maior de não saber onde e porque dói
E tu, escravo ansioso de um milagre impossível,
Preferes entregar a deuses invisíveis o destino
A carregar e assentar os tijolos de ouro da estrada
Com as mãos que tens.

Abandona a fantasia
Deixa-a para os poetas
Que fantasiam a vida que vivem
Pois ninguém vive a vida que fantasia