31 maio 2017

...

No meio do susto
Eu achei que era surto
E surtei

No meio do salto
Eu achei que era alto
E voei


No meio da dose
Eu achei era doce
E adocei

No meio da frase
Eu achei que era quase
E calei

29 maio 2017

A fechadura

Foi o medo que inventou a fechadura

E a propaganda se fez no boca a boca:

Você pode confiar no mercado
Nunca no outro

O medo vende bem seu selfish way of life

E
enquanto enriquecemos
sua produtiva cadeia produtiva

A fechadura nos protege
da sociedade falida

Sociedade falida
que aposta as fichas na selvageria
e no egoísmo irresponsável
onde a fechadura é indispensável

Quando abrir portas
se torna um ato de coragem
abrir fechaduras é em essência
violar a ilusão
de segurança

Segurança que seu capital exige
enquanto nos torna incapazes
de viver em paz

Não fracassamos em nos humanizar

Simplesmente

de forma vergonhosa

Nunca tentamos de verdade

27 maio 2017

Gente

Tem gente
que se pluga
E não se toca

Tem gente
Que se pluga
E sai da toca


Tem gente
Que se pluga
E não se liga

Tem gente
Que se pluga
E se desliga


25 maio 2017

A antipoesia

O ódio na meme-mordida
vírus de linguagem zumbi
mergulho no lago do ego
loop na propaganda sem alma
binarismo na máquina mental

A antipoesia
edita o teu cotidiano
tua cota do dia
teu costume
teu alumbramento
tua velocidade de resposta

teu sonho
agora
é de consumo

23 maio 2017

Busu

O navio negreiro
Agora tem letreiro luminoso
E novo itinerário

Sai lotado da senzala
A carona ainda sai cara
Nesse carro de bóias-frias 


Não há entre novos escravos
quem peça real alforria

"Ao menos livra meus filhos."
Gritam os fãs das Utopias

Mas não há lei do Ventre Livre
Onde reina a mais-valia

21 maio 2017

Web

O ecrã aprisionou tua atenção?

Não sentes o veneno
a corroer o teu bom senso?
 
Mente entretida
ou
entre teias

Redes de intriga,
capazes de nos pegar ainda que em vôo,
invisíveis para olhos destreinados
                                                 ou distraídos,
enlaçam.

Debatemos inutilmente
Batemos na tecla errada
A Grande Aranha regozija
"Hoje, um poeta no banquete."


19 maio 2017

Do Poder

A massa sentia:
lhe passaram a mão.

Era a mão do mercado
Punguista
Prestidigitadora 


tarada

A massa sentia
um dedo invisível

O mercado estava
no controle

17 maio 2017

Somos

Sou como vós
Tentáculo autônomo da idéia
Escondida no interior da matér-ia.

Sou como vós
Energia cuspida da estrela
Que anima a molécula
                           orgânica
                                     espiralada


Sou como vós
Perseguindo no canto de Oxalá
O nome que acordará Brahma

Sou como vós
Apenas um estágio
Na evolução dos vermes

Fair play fairy tale

A alquimia do mercado Transforma necessidade Em merdacoria Vende o que for preciso Diz o que você precisa Con- ...