21 maio 2005
15 maio 2005
02 maio 2005

Quem votou em Severino???
Quando Severinos levam vaias ou perdem mandatos
Quem sai absolvido nessa história afinal?
O bandido de gravata em meio aos deputados
Ou o o povo alucinado que nele votou mal?
Severino nada teme, ouve aplausos e gargalha
Vai ter sempre a certeza do emprego garantido
Díficil que é tornar todo esse povo esclarecido
Nada mais no Brasil os retarda ou atrapalha
Quem votou em Severino?
Fui eu? Não fui eu não.
Quem educou esse povo?
Fui eu? Foi a televisão.
01 maio 2005
Esse é um teste para distimia, a doença do mau humor, que o Fantástico disponibilizou no site após uma habitual matéria sobre comportamento:
1. Você está quase sempre de mau humor, mesmo nas situações que os demais considerem positivas?
2. Você é pessimista e quase sempre acha que tudo vai ser um problema?
3. Você se julga inferior aos demais e mesmo quando é elogiado desconfia ou acha que poderia ter feito melhor?
4. Você queixa-se de tudo ou quase tudo há muitos anos?
5. Poucas coisas ou situações lhe dão prazer ou satisfação?
6. Você se sente inadequado, com pouca capacidade de lidar com as exigências básicas do dia-a-dia?
7. Você acha que as demais pessoas lhe incomodam e que ficar só é muito melhor?
Gostou???
Teoricamente, se você respondeu sim a todas as perguntas a distimia é um risco sério. Mas, se você não jogou a cadeira no monitor e teve paciência de ler mais esse teste até o fim, ainda há esperança.
Eu quase tive de comprar um monitor novo...
1. Você está quase sempre de mau humor, mesmo nas situações que os demais considerem positivas?
2. Você é pessimista e quase sempre acha que tudo vai ser um problema?
3. Você se julga inferior aos demais e mesmo quando é elogiado desconfia ou acha que poderia ter feito melhor?
4. Você queixa-se de tudo ou quase tudo há muitos anos?
5. Poucas coisas ou situações lhe dão prazer ou satisfação?
6. Você se sente inadequado, com pouca capacidade de lidar com as exigências básicas do dia-a-dia?
7. Você acha que as demais pessoas lhe incomodam e que ficar só é muito melhor?
Gostou???
Teoricamente, se você respondeu sim a todas as perguntas a distimia é um risco sério. Mas, se você não jogou a cadeira no monitor e teve paciência de ler mais esse teste até o fim, ainda há esperança.
Eu quase tive de comprar um monitor novo...
E quem ouve o Titãs hoje nem imagina que já houve uma fase aúrea.
Flat-Cemitério-Apartamento
Titãs
E se o jóquei promovesse alguns páreos com jumentos?
E se a royal injetasse nos anões uma dose excessiva de fermento?
E se as casas da banha abatessem alguns gordos para seu abastecimento?
E se a dulcora lançasse no mercado um drops diet de cimento?
Flat - cemitério - apartamento
Flat - cemitério - apartamento
E se a brunella preparasse algumas bombas com excremento?
E se a du loren anunciasse uma nova linha de calcinhas que já vêm com corrimento?
E se a sulvinil testasse nos albinos uma nova série de pigmentos?
E se o Adolpho Lindenberg entrasse no ramo dos flat cemitério apartamento?
Flat - cemitério - apartamento
Flat - cemitério - apartamento
Flat-Cemitério-Apartamento
Titãs
E se o jóquei promovesse alguns páreos com jumentos?
E se a royal injetasse nos anões uma dose excessiva de fermento?
E se as casas da banha abatessem alguns gordos para seu abastecimento?
E se a dulcora lançasse no mercado um drops diet de cimento?
Flat - cemitério - apartamento
Flat - cemitério - apartamento
E se a brunella preparasse algumas bombas com excremento?
E se a du loren anunciasse uma nova linha de calcinhas que já vêm com corrimento?
E se a sulvinil testasse nos albinos uma nova série de pigmentos?
E se o Adolpho Lindenberg entrasse no ramo dos flat cemitério apartamento?
Flat - cemitério - apartamento
Flat - cemitério - apartamento
05 abril 2005
Era mais um daqueles dias em que o espelho lhe fazia a terrível pergunta. Podia olhar em volta, ligar a tevê ou sentar num divã, conversar com os poucos amigos e parentes chegados, de nada adiantaria. Preferia sinceramente escapar para o além do usual a flertar com o riso fácil da novidade pasteurizada de fácil acesso. Preferia sofrer vendo a mass media rebolativa a compactuar com o assassinato da verdadeira liberdade de expressão. Predicativos? Caçador, aventureiro, descobridor. Vaidade? Talvez. Medo de ser considerado medíocre? Certamente. E é aí, na certeza do medo recém encontrado, que a pergunta do espelho se fez mais presente. A questão deixou de ser se existe alguém e passou a ser quantos existem enfim.
Refugiando-se do lugar comum ele já não comungava das mesmas músicas que a maioria, dos mesmos filmes, seriados de tevê ou programas de rádio, dos mesmos sites, chats, dos mesmos clubes, botecos ou festas.
Estava só, a bem da verdade. Mas estava limpo.
Iria vencer mais aquele dia em frente ao espelho e sair a rua com a cara mal lavada.
02 abril 2005
17 março 2005
06 março 2005

Vi finalmente o Homem Aranha 2. Infelizmente, não tive o prazer de vê-lo na telona do cinema mas quem viu, mesmo em casa, não se decepcionou com certeza. Sam Raimi sabe fazer o tipo filme montanha-russa, cheio de mensagens sobre heroísmo e coragem com as melhores cenas de ação que eu já possa ter visto até então. O enfoque moralista do filme me surpreendeu e, embora eu tenha reservas com a forma velada com que se utiliza a máquina do cinema para vender ideologias, identifiquei o mesmo clima que encontrávamos nos saudosos gibis do Aranha, o herói por excelência da Marvel.
Vou confessar que lágrimas brotavam durante a execução do filme. Preciso ir ao analista? Cara, eu sou fã do Homem Aranha mesmo, de chorar.
MUUUUUIIITOOOO BOMMMMMM!!!!!!!
Classificação: Filme Montanha-Russa

Na seqüência, tentando me atualizar pelo último ano que passou, vi O Efeito Borboleta.
Adorei ler a crítica apenas depois de ter visto o filme. Isso só me passou uma certeza: poucos críticos conseguem analisar sci-fi de forma decente. Foi assim também com A.I. e Deus sabe com que outros mais.
Quando vejo um filme que me desperta a curiosidade deixo pra questionar depois. Prefiro embarcar na onda do roteirista, senão interrompo o melhor da diversão.
Pegadinhas são inevitáveis. Esse filme já começa citando o "Efeito Borboleta" como sendo de autoria da Teoria do Caos, como se a teoria pudesse escrever algo. Perdoei isso. Devido ao clima dark e a parte soft gore do filme a classificação de suspense é até cabível. Outra coisa totalmente fora de questão é como a viagem no tempo modifica sempre o ambiente mas nunca a memória imediata do protagonista, que sempre sabe como fazer a tal viagem, ou seja, nunca esquece o seu caminho alternativo. Perdoável, senão não haveria filme. Tenho certeza também que o Happy End era dispensável(Só o Homem Aranha tinha esse direito).
Mas, calma aí, eu gostei do filme. As cenas do menino sendo possuído por ele mesmo são incríveis e apavorantes. A cena em que o pai vê o perigo que seu filho representa e a idéia de que seu pai também possuía essa faculdade me deixam apreensivo quanto a uma possível seqüência. É uma das melhores cenas. É um filme no qual a curiosidade pela resolução dos problemas do menino aliada a vontade inata que temos de possuir o mesmo poder contribuem para que você fique sentado em frente a tela.
Bom.
Classificação: Make me curious about the final
P.S.> Breve Almodóvar e Supremacia Bourne.
27 fevereiro 2005
A incrível banda de Pernambuco é a mais pura expressão da riqueza rítmica que o Brasil encarna. Composta pela força de um violão grave e percussivo de levadas incisivas e deliciosamente ricas e por uma poesia regional que encontra facilmente a ressonância na nossa alma brasileira de Maracatu, Cordel, Vaquejada e Umbanda.
O show é catártico. Poucas palavras vão além para defini-lo. Facilmente identificamos vários toques de Umbanda, motivo pelo qual o transe é algo que pode ser esperado durante o show sem medo.
Cabem muitos e muitos brasileiros no som do Cordel. Saudades de Chico Science e ecos de Mestre Ambrósio. Viva a Naná Vasconcelos. Vou postar duas letras deles e um trecho de João Cabral de Melo Neto por eles declamado. Para quem quiser mais basta clicar na foto e desembarcar no site oficial. Fiquei feliz com o conteúdo bem abrangente do sítio pois a banda parece reconhecer que sua força maior está na apresentação ao vivo. O último show no Circo Voador dia 25 e 26 de fevereiro deste ano trouxe parte do novo projeto ainda por vir. Que venha mais. Parabéns Pernambuco.
A árvore dos Encantados
(ou Recado da Ororubá)
Acorda levanta resolve
Há uma guerra no nosso caminho
Nos confins do infinito
Nas veredas estreitas do universo
Vejo
As cinzas do tempo
O renascimento
As danças do fogo
Purificação transporte
Escuto
O trovão que escapou
As ladainhas das mulheres secas
Herdeiros do fim do mundo
Isso não é real
Não
Isso não é real
A brotação das coisas
Herdeiros da Tempestade
Girando em torno do sol
Do sol
Girando em torno do sol
Vejo
Aquele cego sorrindo
No nevoeiro da feira
Aquele cego sorrindo
Beijo
A fumaça que sobe
O peito da santa
O cheiro da flor
árvore dos Encantados
Vim aqui outra vez pra tua sombra
árvore dos Encantados
Tenho medo mais estou aqui
Tenho medo mais estou aqui
Aqui Mãe
Aqui meu Pai
Em cima do medo coragem . Recado da Ororubá
O Palhaço do Circo sem Futuro
(ou A Trajetória da Terra)
Sou palhaço do circo sem futuro
Um sorriso pintado a noite inteira
O cinema do fogo
Numa tarde embalada de poeira
Circo pegando fogo
Palhaçada
Circo pegando fogo
E a lona rasgada no alto
No globo os artistas da morte
E essa tragédia que é viver
E essa tragédia
Tanto amor que fere e cansa
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59
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