Metempsycose

I

Vejo o mundo e o ponho em minha cela

Vim a este mundo com um propósito, esquecido
Do ser que outrora fui. Mas este outro eu veio comigo
E diz-me, invisível, o que fazer ao meu ouvido,
Enquanto vago, obtuso, no mundo ao redor do umbigo.

Quem sou se fui um outro que não sei? Estou perdido
Em meio às palavras do mundo vasto e conhecido
Que verbo deu sentido ao que atesto realidade?
E a busca de um sentido faz do mundo fatalidade.

O que percebo faz sentido e dou a tudo
Os grilhões que me atrelam a esse mundo
Ao invés de dar, às cousas, liberdade.

Na minha eterna busca por verdade
Há, com certeza, um propósito mais fundo
Onde até o ser que fui queda-se mudo

II

Há muitos caminhos na estrada e os percebo

E, como se fôra um viajante em caminhada,
Que há muito tempo trilha o seu caminho,
Eu questiono a existência anterior a estrada
Memória e consciência deixam-me sozinho

Quem sou? Pra onde vou? É esse o meu destino?
Nasci num mundo pronto. Sou homem. Fui menino.
Tenho nome, sinto fome. Penso, logo desisto.
Lanço meu olhar sobre tudo o que já foi visto

E me sinto forçado a andar pela vida.
Que longa estrada é essa a qual encaro
Sem origem ou destino, sem saída ou entrada?

“Não à razão na caminhada”, eu me preparo
Para trilhar na direção desconhecida
Onde memória e consciência valem nada.

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