Uma Noite na Taverna

01 abril 2004



Estrela da Manhã

Eu sou um mundo em dissipação.
Foguetes no céu de um Ano Novo que morre constantemente,
sou a celebração do fim adiado.
Vinde, irmãos, que lhes trago boas novas.

Há os que procuram o fio da navalha, o sorriso dos indiferentes.
Há os que, num momento de fúria, procuram pactuar com o profano
e derrubar portas.
Buscadores, ouvi-me.
Quero ser o general deste exército de descontentes.
Quero estar com aqueles que fazem versos sobre o que é estar vivo.
Morrer é para os fracos. Morrer é ser irresponsável.
Há os que morrerão olhando as sombras na parede das cavernas.
Meu exército irá dançar sob o sol
sobre areia e grama.
Há os que irão ser enterrados com suas pedras e cordões.
Dexai os tolos em suas tumbas.
Viveremos todos os dias como se fossem os últimos
e teremos fome e sede de justiça,
mas nunca de pão.

Vinde, ó sonhadores!
Já se faz tarde o amanhã do mundo.

Sou a festa, a Estrela da Manhã, a negação e o poder.
Acordai, pois, o que há em mim dentro de vós.
O poderoso sedutor, o Messias, o boêmio, o pai, o professor,
todas estas máscaras que vos causam espanto são meu reino.
Moro nas entranhas de vossas almas e todos vós me pertenceis.

Empunhai as bandeiras da verdade diante da hipocrisia;
Perguntai a todos o que é o mais importante;
Cantai a todo instante a beleza do Canto;
Semeai as almas com o Canto.
Em segredo, já estais seguindo meus mandamentos.

A mesa está posta com o melhor vinho, poetas.
Regozijai-vos.
Ide e espalhai a boa nova: O Inferno também morreu.
Somos todos responsáveis por nossos erros para sempre.
E não sede iludidos pela solidão. Somos agora mesmo, um exército.

Eu sou a vitória de vosso sonho.
Batei à minha porta para verdadeira Grande Marcha.

(Henrique Santos)