Uma Noite na Taverna

23 abril 2004



Voltei amigos.
Fiz uma breve viagem a Santa Catarina, um Estado fantástico e quase inexplorado, de baixo desemprego e com custo de vida bem baixo. Estive com meus familiares, matando saudades de uma família tão grande em número quanto em coração.
Sempre é bom viajar, ver o céu de um novo ângulo e, por que não, fugir da saturada pólis. FUGERE URBEM.
Descubro sempre que sou urbano apenas por acidente. A vida bucólica das cidades catarinenses, voltadas para o trabalho incessante pela subsistência e desenvolvimento auto-sustentado durante a semana, é curiosa. Curiosa porque toda esta dedicação explode nos finais de semana de forma catártica com todos às ruas e bares, outrora vazios à noite. No domingo tudo acaba, a rotina é retomada tranqüilamente e sem ansiedade. Tudo muda lentamente e de forma anunciada, sem surpresas. Tudo me agrada em muito.
A calma é tão grande que, após ouvir o silêncio durante quase duas horas, me dei conta de que não ouvira um tiro sequer. Todos dormem. A cidade não nos deixa dormir ou ver o quanto o céu é lindo. A Estrela Austral, Vésper, brilha de uma forma intensa.
Lá, é fácil achar o que se faz bem e aparecer aos olhos das pessoas. No Rio, nossas vozes se misturam com o grito da turba ensandecida, macacos competindo por espaço e carniça. Lá, os dons estão distribuídos por poucos e, como os dons são infinitos e as pessoas não, faltam dons e sobra trabalho.
Toquei e cantei Rock and Roll como se fosse inédito por lá. Comprei excelentes vinhos por uma ninharia e comi à beça.
O único réves é o transporte, caro e ausente. Agora entendo porque não há tantos catarinenses espalhados pelo Brasil. Quando voltar, alugo um carro.

Como puderam ver, completei o post do Kid A. Aviso que não estava sob o efeito de drogas, antes que me perguntem.
It's good to be back. Devo confessar que estou viciado em ficar sentado na frente dessa tela escrevendo esta infinitamente longa declaração de vida e carta de suicídio.