Uma Noite na Taverna

30 abril 2014

Sempre Babilônia



Antigos senhores da Babilônia
Em uma época sem imprensa
Fizeram sem licitação
(algo que hoje se dispensa)
uma torre que de tão imensa
alcançaria o firmamento.

Assim, em seu pensamento,
Deus seria destronado

Mas como o Senhor é malaco
Pôs uma língua na boca do povo
E aí formou-se o barraco
Rolou tumulto, ninguém se entendia
Todo mundo dispersou
Foi gente pra todo lado

Por fim, a torre ruía

Hoje senhores do mundo
Constroem seu paraíso de riqueza
Achando que a plebe nunca pensa.
Agora eles têm imprensa
Que beleza!
Tem grossos livros psicografados
e atribuem ao Senhor a autoria

Pois não sabem que Deus malaco
Odeia essa putaria?

Vamos ver a língua do povo
Falar uma só oração
Tornar vísivel a mão do mercado
A cara e nome de seus donos
a sua real intenção.
As praças de guerra na esquina
Não contra a cocaína
Mas contra a corrupção
Irão matar algumas flores
Mas o povo unido pensa
O crime não compensa
Não seremos escravizados

Não adianta a imprensa
Nem burguesia medrosa
Explodirá por todos os lados
No sofá, na rua, na escola
Onde o governo dá esmola
Onde ninguém dá bola
Na favela, no lixão
Destronaremos esses senhores

E quando acabar a revolução
Mais uma vez, por Deus,
Cairão por terra as torres.

E as praças voltarão a ter flores