Destruidor de Ídolos

Imitação barata de estátua grega

Onde se vê mármore veja-se

Gípsea substância

O vidro em lugar do brilhante

Não tem o mesmo efeito

Que o do puro diamante

Bem construído a olhos míopes

Mas frágil e feio diante da lupa



Ver o povo ajoelhar-se diante do ídolo?

E adorá-lo como obra máxima de beleza?



Ao levantar o martelo sou um bárbaro

E como bárbaro sempre hei de ser tratado

Custa-me acreditar que a vida mereça

Tais ofensas em nome do medo



A mão do homem não constrói o ídolo

A mão do medo o constrói

E a mão do homem deva destruí-lo



Embora impedido, mãos atadas e desarmadas,

Não me rendo, não me calo, blasfemo.

Hão de me pôr sobre a cruz, matar meu corpo.

A chuva vai desfazer o nosso erro.



E, quando o ídolo derreter, se um outro for erguido

Eu virei, com o vento, destruí-lo novamente.

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