E-mail para um colega impressionado em Washington
Não há intelectuais abaixo da linha do Equador.
São todos poetas que, sofrendo de insolação, descobriram que seria mais divertido inventar ciência política.
Em se plantando, nesta terra, tudo brota em profusão.
Ao desembarcar da Nau, os portugueses fecundaram nosso solo com seus degredados e....Deu no que deu.
Não vou culpar nossa história pois, ao olhar essa República de bananas, esse Parador esfuziante, cheio de potencialidades, eu também faço como o herói de Macunaíma: paro em frente ao mar, fecho o jornal, desisto do Master Degree on Harvard e me espreguiço.
Quem lê tanta notícia?
O sangue dos aristocratas ainda está contaminado pela herança escravocrata. Ainda possuímos uma estrutura no campo que permite esta exploração.
Não libertamos nossos campesinos, nossos negros e nossas escolas. Leia as últimas notas de jornal.
Em Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu são os bandidos que se elegem. No mundo todo os bandidos se elegem.
A máfia movimenta bilhões no mundo não é à toa.
Somos escravos de boas idéias a respeito de como devíamos ser castrados pelo estado e criamos arcabouços jurídicos que não impedem um jovem de matar toda sua família, mas asseguram uma série de mordomias a deputados e empresas inescrupulosas.
O mundo precisa ser recriado?
Não.
Nós precisamos é dar educação por meio da arte. Moldar um movimento global de contestação que comece na criação de nossos filhos e enraize-se em nossas posturas profissionais e humanas.
Acredito na humanização da maior parte da humanidade porque, no aeroporto, é fácil perceber que todos nós somos iguais em toda parte. Idiotas estão por todo o globo. Nossa linda Parador merece um voto de confiança.
Ainda que a incompetência seja regra nestes (des)governos, há sempre espaço para o único tipo de mudança que fica de verdade: A HUMANIZAÇÂO.
Depois eu completo.

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