Uma Noite na Taverna

05 fevereiro 2014

O urubu em seu idílio



Gaiolas
Dão felicidade
A donos de gaiolas

Sou pássaro mudo
Certo de que os que cantam
Não enxergaram as grades
Ou temem o vôo

A ilusão do vôo
pular de poleiro em poleiro
No viveiro limitado de escolhas pré-determinadas

Não há espaço para abrir as asas
Na prisão do medo

A menor prisão do mundo é o medo
Engenheiros do medo
Professores do medo
Músicos e poetas do medo
Cantam melodias
Escrevem manuais do medo
Erguem universidades
Fazem mapas de suas gaiolas
Lindos quadros
Até mesmo dançam

Merda!
Todos tem asas
E há poucos gaviões entre nós
Quero voar alto
Não há karma na carniça que me alimenta
Tomai e comei vosso alpiste
Que minha fome é de justiça
E dada a vós por minha palavra

Aos senhores das gaiolas
Minha malandragem, minha greve,
Meu mal feito contraversivo
Meu verso subversivo
Meu fértil amor com contraceptivos
Minha moda em ser feio
Meu deboche-desdém-raio-molotov-discurso
Tomada de praça
Leitura
Livro
Livro
Livro
Debate
Reeducação
Sacrifício
Poesia

E silêncio!