26 maio 2013

Honestamente





Grandeza não é grandiosidade,
pobreza não é humildade,
certeza não é razão,

vaidade não é virtude
dinheiro não é saúde,
honestidade não é opção.

Sobre guardanapos



Aos jovens poetas um conselho:
Escarrem a verdade sobre os guardanapos
Encham de sangue e porra esse lirismo
Não façam poesia em frente ao espelho

Laranjas




Eu
Simplesmente
Sigo em frente
Por ter fé no caminho

Geralmente
As mentiras fazem sentido
E a realidade não
Não fiques assim ansioso João

A ciência é apenas para a regularidade
A vida é vivida uma vez na verdade
E nem sempre há marimbondos
Na laranjeira à beira da estrada

Procure aprender o que dá pé
Não fiques parado aí então José
Desce do carro e aproveita
Que nem sempre o inimigo espreita

Quem se priva do prazer da vida
Tem mais medo do erro que da morte
Deixará de catar boas laranjas
Por que algumas são azedas?

Vamos com isso
Que o caminho é longo
E há muitas outras frutas
Pela estrada

15 maio 2013

Satânico: Fausto : Vaidade




O desejo puro é chama da vontade
E se há desejo em salvar a realidade
Te consomes na chama da maldade
Que o teu erro quer chamar de consciência.

Agrilhoado(?) a uma única existência
Nunca te entendes como substância
E sofres tanto, apenas consequência,
De não aceitares o alento na inconstância.

E agora, diante do espelho, vem a ânsia.
Procurando respostas, querendo verdade.
"Fausto, acaso terias a necessária coragem

De barganhar o tempo com a eternidade?
Pegar minha mão? Vamos seguir viagem
Para fora do Samsara rumo a eternidade.

Rumo a memória do universo"...por vaidade.

A faixa de Moebius




Se o tempo, dimensão como o espaço,
É traído pela memória, que o aprisiona,
Qual será sua topologia?

A ciência descortina o universo.
O método inverte o sentido da entropia.
A mente procura a verdade. Ela é possível?

Vivemos nesse algo misterioso
A que chamamos realidade
Construtos lógicos de pura fantasia.

Surge forte de nossa incapacidade
Em compreender o continuum
a necessidade de construir uma harmonia.

Tange, menino, as cordas desta lira.
Faz a tua parte. A morte é consorte da vida.
Quem te dará a chave da imortalidade?

A matemática, a arte ou a filosofia?
Tempo, sou o raio, bem o sabes!
E não serei devorado pela marcha dos dias.

30 abril 2013

Poema Sujo




Nasceu
Em algum lugar pegajoso de minha alma
Num emaranhado confuso de idéias e palavras
Regadas com ódio e inconformismo
Um poema sujo

Lá vai ele, debochado e desbocado,
Zoar as carolas das quermesses

Ele é mau e tirano
E não perdoa a bondade inútil dos apáticos
Critica a excessiva fé dos céticos
E a hipocrisia exarcebada dos crentes

Ele é sujo
Não quer agradar

Pensava em escrever sobre o amor
Mas o poema não me deixa
Ele está cansado da tentativa de se pasteurizar o amor
"Meninas, bebam leite" ele grita
"Bebam leite"

O amor resultou inútil para o sujo
Porque o sujo quer o movimento da carne
Não quer falar de amor
Falar de amor não vale a pena
Senão é só falar
e aí é uma pena
Pena de quem não sabe amar
E fica escolhendo condicionantes

"Bebam leite meninas"

Meu poema sujo organizou uma passeata a partir do Largo da Carioca
Marchou até a Lapa pedindo a dissolução do Congresso
a baixa do preço da cachaça e a liberdade para os pássaros engaiolados

Ele sabe que não vai mudar o mundo
mas não vai tomar banho e sentar na sala
arrotando strogonoff em frente ao Programa do Ratinho
ou do Pedro Bial

Vai à rua, sujar-se,
conhecer novas lamas, idéias, odores, ó dores, Dolores, Camilas
"Bebam leite meninas"

Meu poema sujo quer fuder as estruturas
O status quo, o quid pro quod
Mas não goza
não goza
não goza
não goza
Porque a realidade das coisas é coitus interruptus
Ele goza é na cara
da minha já fudida paciência

E, quando penso que a noite irá levar o poema e a insônia,
O amor, a guerra, as passeatas, a cachaça, a Lapa, São Gonçalo,
a política, a televisão, pseudo-artistas-intelectuais, artistas sem intelecto
o espelho em cima da escrivaninha de Dolores
e a incompetência em desenvolver a habilidade de não se importar,
Copulam freneticamente com o poema sujo
Gerando outros milhares de poemas sujos

Sujos feios e maus

20 março 2013

Manifesto




Poesia é coisa de viado
Poesia é coisa de revoltado
Poesia é coisa de maluco
Poesia é coisa de vagabundo
Poesia é coisa de recalcado

É recado de gente apaixonada
Menino tímido encantando a moça
É noite de insônia
Choro do amor perdido
Gozo do conquistado
É noite de insônia

Poesia é grito que acorda
Chuva de palavra que derrete ídolo de gesso
É uma idéia esculpida em verso
É a transformação, o inverso
Coisa de Pessoas, Nerudas e Drummonds
Mas também de cada pessoa
Visão pessoal, epifania, credo
Putaria, diário, mentira, desabafo, medo

Versos que se juntam em orações
Em estrofes
Orações ao profano ou ao divino
A minha alma é o templo da poesia
E vossos olhos rezam a minha missa
Quando ressoamos em convergência

Sublime, banal, vil, irracional
Política, anarquista, filosófica, pueril
Amadora ou profissional
Ela arrebata a mente
Bate junto com o peito
Aponta ou aumenta o defeito do mundo

E quando, animada, flerta com a música
Traz de novo um mundo novo
O recado do menino
O choro do amor perdido
O gôzo do conquistado
A noite de insônia

Cuidado com a poesia
Cuidado com a poesia
Cuidado com a poesia

Poesia é coisa de revoltado?
Poesia é coisa de viado?
Poesia é coisa de maluco?
Poesia é coisa de vagabundo?
Poesia é coisa de recalcado?

E o poeta?

O poeta é qualquer coisa
Menos conivente

23 janeiro 2013

Suspensão temporária do Blog

Estou em processo de seleção de textos para lançamento de um E-book pela Amazon.

Peço desculpas aos leitores do Blog. Em breve voltarei com as postagens e novos poemas.

Obrigado.

Henrique Santos 

22 novembro 2012

Meu grito






fico calado pra não dar ouvidos ao mundo
grito pra demonstrar meu desprezo
fico calado pra ver a moça bonita dançando
as cores numa parede
Jimi Hendrix
Um pássaro
O vento
o sol nascendo
um poema
o orgasmo de uma mulher
sons que valem a pena

fico calado

com pena da vida de merda do moleque engravatado
da menina que não se libertou
do mentiroso e dos charlatães
dos que dormem
dos que riem da desgraça do mundo
e tomam parte nela conscientes

fico calado pra não criticar o riso alheio


eles se explicam pra mim

mas eu os ouço calado
não se justifica uma vida de merda com argumentos

grito para demonstrar o meu desprezo?

Não.
Grito pra demonstrar o que mais prezo
Minha espada
a palavra
prezo a honra e o compromisso
Como um soldado
um padre
um poeta

minha guerra é dar risada como todo mundo


Não tente jogar comigo

Tentaram roubar minha luz
e eu me decepciono porque esqueço das derrotas

Nessa onda de hipocrisia o inimigo te abraça

e alguns amores esfaqueiam

Não coleciono pessoas

faço amigos

Eu vivo sob a maldição das regras

não da trapaça
Vivo o amanhã e não quero estar morto

Hoje?


morder a maçã

Abandonar o paraíso
fico calado ouvindo Deus brigar comigo

Regras de engajamento



Quanto ao amor e guerra, lembre-se:
As coisas sempre acabam bem
Pro lado que está ganhando.

01 novembro 2012

Constatação



ela queria ser amada 
a razão pediu licença:
"deixe o Amor chegar primeiro."

mas coração bate ligeiro 
não conhece a paciência 
E lá foi ela equivocada

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