09 dezembro 2005

Esperar Punir e Proteger

Ismael e Simas se preparavam para dar o veredicto sobre o atraso do amigo.
Perceberam então que, se haveria castigo, primeiro teriam que legislar sobre a letra lei para pô-lo, atrasado há uma hora, sob a letra desta mesma lei.
Muitas ausências...
Teria de haver punições para os que faltaram... mas ligaram pra dar satisfação pelo menos.
O julgamento torna-se por demais conturbado... a ponto de dar mais trinta minutos a Davos para desfazer a sessão que o crucificaria.

A lei não foi feita apenas para punir criminosos
Mas primordialmente para proteger os justos

01 dezembro 2005



Foi cassado ontem o ex-super ministro de Lula, ex-guerrilheiro e agora ex-deputado José Dirceu.
Eu não vou aqui desfiar os motivos que levaram o Congresso a tomar esta atitude. Só afirmo que nenhuma delas seguiu o rito processual da justiça. A imprensa está satisfeita, o Jô Soares, alçado a pensador político, está satisfeito, e os eleitores e políticos que não gostavam dele estão satisfeitos.
Eu não estou satisfeito.
Mesmo não sendo partidário de Dirceu e discordando da linha política que ele adotou, mesmo sabendo que o PT adotou uma política eleitoral de loobies com sua anuência (ainda que não provada), mesmo achando que sua história é motivo de orgulho apenas para os que se espelham no movimento de esquerda contra a ditadura da qual ele fez parte, eu não vou bater palmas para um Congresso que não tem um por cento da competência necessária para cassar José Dirceu.
O ex-deputado Dirceu foi cassado por um Congresso que há muito se assemelha ao dos 300 picaretas que seu "mui amigo" Lula teve eternizado em música. Seus 500.000 eleitores tiveram seus votos desrespeitados e a sociedade não ganhou nada em melhoria do processo eleitoral.
Não quis deixar em branco a minha indignação. Sou parte da platéia atônita neste espetáculo ridículo.
Vai, Dirceu!!!

13 novembro 2005

fé determinada fé no determinismo fé exterminada

se o movimento de tudo que vejo no mundo me aponta a direção das coisas? sei apenas que o que vejo só me dá conhecimento sobre o que vejo. às vezes nem isso. há teorias muito boas sobre a validade da experiência no aprendizado. não me servem. eu abomino estatísticas e divinatórios. videntes em manicômios, matemáticos em sanatórios. o movimento das marés, dos dias da semana, das gripes e dos discursos politizados não me apontam nada... em vão jornalistas, curas e especialistas desenham seus gráficos e apresentam receitas. acho que sofro de pretensão crônica. invento a cada instante um caminho. o que conheço e o que sei que não conheço não me bastam. eu me basto. faço as perguntas certas quase sempre. arranjo explicações para tudo. eles, os das teorias, me garantem que sabem da verdade. aprenderam a mentir com método e isto os torna mais respeitáveis. também tento lotar a minha estante de livros em busca de respeito, só não encontro respostas satisfatórias. quem me garante que apenas porque eu acredito nas coisas como elas são e pareço perceber como elas funcionam, quem me garante que as coisas existem realmente do jeito que as vejo?
começo a acreditar piamente que somos todos personagens em um filme...(...) sempre me sobressaltei com esta hipótese absurda e, me dá vontade de alertá-lo, antes que você decida ler isso e seguir em frente nessa empreitada insana: cada qual tem seu papel nesta história.
teorizarei sem método. responda: como saber se não sou parte do sonho de alguém, com papel secundário, sem ser o herói da história, morrendo cedo em um capítulo menor? as minhas confissões trarão à tona os absurdos por que minha alma passou enquanto eu buscava uma resposta. nem sempre eu faço as perguntas certas. há o momento em que qualquer explicação traz conforto à alma. estou convencido de que somos mesmo personagens num filme. minhas memórias e sonhos tem a dinâmica do cinema. a seqüência inacreditável de mudanças em minha vida não foram planejadas por mim mas por um autor. nem pajelanças ou a psicanálise poderão dar um jeito nisso. este é meu alerta a vocês, um testemunho-testamento. afinal, eu me percebi personagem e vocês, os outros, não. estarei estrelando um papel messiânico? sofro de pretensão crônica? não há como saber o que este roteiro me reserva. não há como alcançar o autor. comecei a me comportar de modo a moldar o meu papel. ao agradar o autor eu talvez consiga um papel melhor neste filme: rockstar, general romano, aventureiro quiça o de yuppie milionário.
há a época em que o futuro não faz sentido. as coisas acontecem. arranjo explicações para tudo. estatísticas só demonstram tendências. temos que formular as perguntas certas... as perguntas certas e cada vez melhores... o movimento só funciona com o silêncio. o silêncio permite a mente o trabalho. somente a mente vê, no escuro, o vago. Devaneio. Somos parte de filmes cujo roteiro não está em nossas mãos. Play your part on the role. apague e luz e vá dormir. Tudo tem trilha sonora. Só porque você sente, não significa que está lá.


Por que acabou com ela???

Ela não tinha nada a ver com meu roteiro. meu filme era denso e intelectualizado. Ela era sessão da tarde. estávamos ambos lutando por um papel principal na vida. a repartição pública não era o melhor palco. passeamos pela vida, cada um em seu horário. eram horários diferentes e para públicos distintos. só depois descobri que éramos invejados. a inveja declarada e sabida é, por vezes, um combustível para os romances. para mim o nosso espetáculo não fazia sucesso sem que houvesse tais palmas. Ela, por sua vez, acreditava em poemas. dizia que assistir aos filmes de arte era romântico. eu ia contrariado. Eu gostava da decadência pequeno burguesa, do rock britânico, da literatura fast food e ainda mantinha um ar blasée de superioridade adolescente. Ela sorria com o sol e não temia fazer concessões à minha extravagante forma de ver a pop art. havia a coleção de selos e a de moedas. não sinto muita falta desse o "eu fôra". Eu fôra superficialmente profundo e profundamente superficial. Ela... Ela não fazia parte da lógica que acompanha uma seqüência de fatos. era bruxa, fazia canto e queria ser atriz. ela era fonte de luz e cegueira. Eu era o cara mais sortudo do mundo na hora errada. Eu fiz planos e não deixei espaços para ela. Não se pode voltar no tempo e recuperar as coisas. sei que acabou com ela, mas eu nunca acabei de mudar depois disso. minha vida só fez sentido quando eu a perdera. me restou a obrigação de tornar os planos reais. perdera Ísis, numa paisagem deserta,sem trilha sonora apropriada. Nenhum outro par romântico fez sucesso depois disso.

06 novembro 2005

E-mala para a Enquete "TESTE CEGO" da cerveja KAISER

Recordo-me da propaganda de lançamento do Guaraná Kuat no Brasil.
Fico feliz de ter memória desses enfadonhos trinta segundos num país como o nosso, onde se esquece do que aconteceu no último mês.
Ao que parece, no entanto, uma geração de publicitários insiste em utilizar-se da mesma fórmula imbecil: O consumidor não conhece o produto que consome.
Quando vi a propaganda do Kuat pensei com meus botões: é claro que há pessoas que não perceberiam a diferença entre um guaraná xarope gaseificado e um “champanhado” (alcunha do processo utilizado pela Antártica). Afinal de contas há pessoas que não conseguem bater palmas de forma a acompanhar uma música, pessoas que são incapazes de cantarolar atirei o pau no gato no tom e que põem catchup em medalhão ao molho madeira.
A publicidade parece não ter entendido que, ao escolher um produto como a cerveja, o alvo deve ser o dos Marias-vão-com-as-outras. Beber Skol é cool porque o cara mais descolado do grupo bebe, porque alguém que é referência bebe. Aquele que já escolheu o “seu” produto não será influenciado e se pode afastar o consumidor potencial com jocosas colocações como esta:
“—Me vê uma Kaiser porque eu não sinto a diferença mesmo!!!”
Se pusessem alguém falando do sabor, inflando a imagem do produto, nunca poriam o Pânico pra fazer o teste cego. Fala sério, não quero tirar o ganha-pão de ninguém, mas a Kaiser deve estar lavando é grana.
Eu acho engraçado o que os marketeiros fazem. Sabendo que o povo brasileiro é em sua maioria composto de analfabetos funcionais, imagine as desgraças que um gráfico travestido de estatística pode fazer. Chego eu, pro dono da companhia, lhe ofereço um web site, espaço na tevê e uma estratégia de infiltração (já testada) e pimba!!! GRANA!!! Se eu fosse dono da companhia não iria ser iludido apenas pelo formato. O conteúdo, a despeito dos gráficos e enquetes, só tem um objeto de tese: O consumidor não conhece o produto que consome.
Pra piorar, quando vejo as esquetes do Pânico, tenho que ver a maioria escolhendo SKOL como a mais gostosa e acertando todas as opções de um “bom bebedor”. E ter que engolir Emílio Surita ,numa atitude anti-ética, dizer que o teste “provou a tese” é dose. O consumidor conhece o produto que consome quando o consome regularmente. Uma tentativa da Pepsi em utilizar este modelo de marketing fracassou como o Titanic.
Espero que vcs, que trabalham nesta campanha, façam muito sucesso e nunca se envolvam com política.
ESTAREMOS PERDIDOS !!!!!!

31 outubro 2005

UMA NOITE NA TAVERNA EDIÇÃO ESPECIAL


1ª BIENAL DA LEITURA DE SÃO GONÇALO

No dia 04/11 a partir das 20 horas, os poetas Rodrigo Santos e Romulo Narducci recebem os poetas convidados André Santana, Diego Velásquez , DiGregório Neófito, Pakkatto e Reinaldo Baso, na a edição especial do evento Uma Noite na Taverna da 1ª BIENAL DA LEITURA DE SÃO GONÇALO.


A 1ª Bienal de Leitura de São Gonçalo acontecerá nos dias 3, 4, 5 e 6 de novembro das 10h às 22 horas, com entrada grátis no SESC São Gonçalo e terá como atração estandes de diversas editoras, contação de histórias, leituras dramatizadas, palestras e noite de autógrafos com os autores Paulo Lins, Luciana Sandroni, Affonso Romano, Marina Colasanti, Heloisa Seixas, Bia Hetzel e Alcione Araújo.



O SESC São Gonçalo fica à Av. Presidente Kennedy, 755, Estrela do Norte.

24 outubro 2005

Destruidor de Ídolos



Imitação barata de estátua grega
Onde se vê mármore veja-se
Gípsea substância
O vidro em lugar do brilhante
Não tem o mesmo efeito
Que o do puro diamante
Bem construído a olhos míopes
Mas frágil e feio diante da lupa

Ver o povo ajoelhar-se diante do ídolo?
E adorá-lo como obra máxima de beleza?

Ao levantar o martelo sou um bárbaro
E como bárbaro sempre hei de ser tratado
Custa-me acreditar que a vida mereça
Tais ofensas em nome do medo

A mão do homem não constrói o ídolo
A mão do medo o constrói
E a mão do homem deve destruí-lo

Embora impedido, mãos atadas e desarmadas,
Não me rendo, não me calo, blasfemo.
Hão de me pôr sobre a cruz, matar meu corpo.
A chuva vai desfazer o nosso erro.

E, quando o ídolo derreter, se um outro for erguido
Eu virei, com o vento, destruí-lo novamente.
Se o país é uma bagunça
Tome parte nessa dança
Roubam doce de criança
Vão tomar seu capital

Brasileiro, dou meu jeito
E não olho pro palácio
Se me querem de palhaço
Vão me ver no carnaval

Cantando sambas de protesto
Disfarçado de alegria
“Pois não há democracia
No país do futebol”

Querem nos fazer de otários
Bando de estelionatários
Que me aparecem sorrindo
No horário Eleitoral

E se a justiça é mesmo cega
Aqui ela anda de muleta
É tanto rolo e tanta treta
Lá no Planalto Central

Obras super faturadas
E merendas desviadas
Hospitais sem ter remédios
Acabam sendo o Normal

E o nosso povo se endivida
Com o apoio do Congresso
Cai na mão da agiotagem
Que banca o Telejornal

Vou gritar minha agonia
Lá no meio da Avenida
Não, não há democracia
No país do futebol

Não sei de vocês
Mas não dou Ibope a uma cambada tão boçal
Não sei vocês
Mas não dou Ibope a uma cambada tão boçal

09 outubro 2005



Sempre há algo de podre no reino de Ferrabrás quando a distinta publicação que ilustra esse post aparece. Consegue em mim um efeito pior do que os Globais.
Espero que todos possam refletir sobre o que significa o que estamos fazendo: REFERENDANDO OU NÃO UMA LEI QUE PREVÊ O FIM DA COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS.
Já disse em outros lugares e vou repetir aqui, somente para oficializar a minha opinião: Apesar de saber que tudo isto não passa de uma farsa eu votarei pelo SIM.
Não farei campanha. Voto sob protesto pois não cabe à sociedade civil discutir um tópico como esse. Elegemos um Congresso que nada decide. Como não posso fugir a essa realidade e me recuso a votar nulo, voto pelo sim mas digo: façam o que quiserem, só não saiam por aí repetindo mentiras que viram nos jornais, revistas e tevê, independentemente do que escolherem.

07 outubro 2005

Chomsky manda muito. Num artigo sobre o desastre em Nova Orleans provocado pelo Katrina, ele aponta as falhas de um governo preocupado em expandir somente o seu poderio bélico sobre o mundo.
Dá até vontade de saber o que aconteceria se o Big One, o terremoto tão temido e esperado em Los Angeles, acontecesse sob o governo de Bushinho.

27 setembro 2005



Mais uma pra série de notícias infames.
Preso cozinheiro de hotel que pôs maconha em sopa.

Brazil home delivery apocalipse

Disco do Calipso bombando na banca pirata Playboy virou escolha do proleta E o picareta promovido a novo profeta Caiu na rede o selfie do se...